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NAO DEGUCHI Uma Biografia da Fundadora da Oomoto |
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Ter nacsido num ano de fome excepcional e num baixo ponto da sorte da família foi apenas o início das dificuldades que estavam à espera da Fundadora. Seu pai, por natureza teimoso e rabugento, freqüentemente recorria à violência física quando bebia. Quando Nao tinha apenas dois anos de idade, Gorôsaburô, num acesso de raiva, a jogou fora na neve no quintal. Outra vez, quando Nao tinha quatro anos, seu pai a mandou sair para comprar sakê. Perdida em brincadeiras, ela esqueceu sua incumbência e, quando voltou de mãos vazias, seu pai a enrolou nas roupas de cama e a fechou em um armário. Sua mãe Soyo, por outro lado, era verdadeiramente uma boa mulher, gentil e escrupulosa em seus deveres de mãe. Sua conduta era tão exemplar que sua sogra, uma mulher um tanto difícil, freqüentemente gabava-se da esposa de seu filho para os vizinhos. A firmeza de caráter de Nao, tão evidente nos últimos anos, sem dúvida deveu-se muito à criação que recebeu de sua mãe. Enquanto isso, as coisas se tornavam cada vez pior para a família Kirimura, até que Gorôsaburô foi rebaixado a levar a vida como vendedor de rua de um tipo de bebida doce feita de arroz fermentado. Finalmente, em 1846, quando Nao tinha nove anos, Gorôsaburô desenvolveu cólera maligna e, após um dia de sofrimento, faleceu. A perda o arrimo de uma família já em tais circunstâncias indesejáveis foi um golpe difícil de se imaginar. Como resultado, Nao foi trabalhar a serviço para um certo Kanayama, comerciante de arroz em Fukuchiyama. |
Em suas novas cercanias, a diligência e a aparência bem arrumada de Nao conquistaram seu bom nome tanto com o dono da casa como com os outros empregados. Além disso, sua devoção à sua mãe era excepcional. Todo o seu salário ela guardava para Soyo. Duas vezes por ano os empregados recebiam novos kimonos, mas Nao os trocava por dinheiro e o mandava para sua mãe. Tal comportamento exemplar atraía cada vez mais atenção até que o senhor do feudo de Fukuchiyama conferiu a ela um elogio quando tinha onze anos de idade.
Após três anos no mercado de arroz, Nao continuou a se empregar em várias outras casas, mas a família precisava dela em casa e, aos dezesseis anos, ela retornou para ajudar no trabalho de sua mãe, a tecelagem de fios. Devido à sua natureza perfeccionista, ela era tão habilidosa que seus fios alcançavam o dobro do preço usual, dizia-se. |